segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Ao mar, ao mar *

                                                                    (Daniela Maria Ioppi, 2005)  
         
Antônio é jovem, faceiro
Antônio só quer amar,
Antônio quer ser marinheiro.
Traiçoeiro, oh, é o mar.

Antônio lança ligeiro,
Sua nau a navegar,
Atravessa o nevoeiro,
Se põe logo a sonhar.

“Gira, gira, ó timoneiro,
Que a onda te quer tragar,
Bate com força o madeiro,
P´ro fundo quer te levar.

Antônio, jovem matreiro,
Será que sabes nadar?
Até um grande veleiro
Pode na água afundar.”

Quem é velho marinheiro,
Cuida p’ra não se afogar,
Não se entrega por inteiro.
Traiçoeiro, oh, é amar.

* Um de meus primeiros poemas, há mais de uma década, inspirado por um habitante da Ilha da Madeira que, do outro lado do oceano, me fazia juras de amor, sonhando em ser Capitão enquanto navegava pela internet. Seu barco nunca aportou por aqui. Por onde andará? Penso que, ao aconselhar esse jovem marinheiro, era ao meu coração que eu tentava avisar... Naufraguei, muitas vezes. Sobrevivi. Desfraldo minhas velas, mais uma vez, lanço-te-me ao mar, poesia! Somente os versos são meu porto seguro.

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