domingo, 27 de setembro de 2015

O mar sempre me inspira, em vários sentidos, mas com relação ao amor, suas ondas sempre me fazem pensar na inconstância dos corações (principalmente masculinos, talvez? Não sei). Quem me lê nesse poema, pode até achar que eu tive muitos amores, que muito naveguei ou navego... Qual! Sou a mais comportada marinheira sentada no porto, vendo os barcos a uma distância segura, afundando-me tão somente na minha própria imaginação... Escrever tem sido minha maneira de viver o amor... 

Navegar

(Daniela Maria Ioppi, 2008)

Se amares a navegar em sonhos,
Não aportes na realidade, no cotidiano.
Abre um oceano de loucuras,
Mergulha nas alturas
Não traces plano
Porque há ventos
E calmarias...
Navega, no entanto,
Pois há mar até o infinito...
Requer de ti ousadia,
Porém não te aprofundes!
Ou vais, certamente
 ....naufragar...

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Ao mar, ao mar *

                                                                    (Daniela Maria Ioppi, 2005)  
         
Antônio é jovem, faceiro
Antônio só quer amar,
Antônio quer ser marinheiro.
Traiçoeiro, oh, é o mar.

Antônio lança ligeiro,
Sua nau a navegar,
Atravessa o nevoeiro,
Se põe logo a sonhar.

“Gira, gira, ó timoneiro,
Que a onda te quer tragar,
Bate com força o madeiro,
P´ro fundo quer te levar.

Antônio, jovem matreiro,
Será que sabes nadar?
Até um grande veleiro
Pode na água afundar.”

Quem é velho marinheiro,
Cuida p’ra não se afogar,
Não se entrega por inteiro.
Traiçoeiro, oh, é amar.

* Um de meus primeiros poemas, há mais de uma década, inspirado por um habitante da Ilha da Madeira que, do outro lado do oceano, me fazia juras de amor, sonhando em ser Capitão enquanto navegava pela internet. Seu barco nunca aportou por aqui. Por onde andará? Penso que, ao aconselhar esse jovem marinheiro, era ao meu coração que eu tentava avisar... Naufraguei, muitas vezes. Sobrevivi. Desfraldo minhas velas, mais uma vez, lanço-te-me ao mar, poesia! Somente os versos são meu porto seguro.